Igreja Matriz São Pedro

A expansão marítima portuguesa originou, no século XV, o crescimento de algumas vilas no litoral algarvio. Em Faro, assistiu-se ao aparecimento de uma nova zona de expansão urbana, a ribeira, que  teve como principal equipamento religioso um templo de três naves,  custeado pelos mareantes: a Ermida de São Pedro.

O contínuo desenvolvimento comercial e urbano fez com que, no século seguinte, Faro fosse escolhida para assento episcopal e consequentemente elevada a cidade, em 1534. Deste modo, a Igreja Matriz de Santa Maria passava a catedral e a Ermida de São Pedro tornava-se sede de uma nova freguesia e era entregue como compensação à Ordem Militar de São Tiago.

Como resultado desta situação, os mareantes reconstroem uma nova igreja que, segundo as palavras de Frei João de São José, em 1577, «virá a ser um templo sumptuoso, conforme os princípios quer leva».As obras prolongam-se por muito tempo e, em 1587, é referido numa visitação «é necessário acabar-se a capela-mor desta igreja que há anos está começada».

A ornamentação sobrevivente, aliás à semelhança do que acontece nos restantes templos algarvios, é posterior ao Concílio de Trento. Os exemplares tardo-medievais e renascentistas foram gradualmente substituídos nos séculos XVII e XVIII.

Em relação aos retábulos, para além dos do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora da Vitória e das Almas salientam-se os de Santa Luzia, do terceiro quartel do século XVII, o da capela-mor, construído entre 1681 e 1689 por Gabriel Domingues da Costa, o da capela de Nossa Senhora da Conceição, do terceiro quartel do século XVIII e o da capela do Senhor dos Passos, já do século XIX.

A secularização dos Conventos de São Francisco, de Santo António dos Capuchos, de Nossa Senhora da Assumção e do Colégio da Companhia de Jesus, na época do Liberalismo, bem como do Paço e do Seminário Episcopais, com a República, originou o ingresso nesta igreja de diversas telas pintadas e imagens retabulares e procissionais em  madeira, perfazendo um dos melhores espólios religiosos e artísticos de cidade.

À semelhança do que aconteceu nas igrejas matrizes de Estômbar, Lagoa e Portimão, a reconstrução efetuada neste templo, após o terramoto de 1755, originou profundas modificações.

Contrariamente ao que era de supor, procedeu-se a alterações estéticas significativas, pois não se refizeram as colunas e os arcos conforme os exemplares pré-existentes, mas sim seguindo um formulário revivalista, característico da segunda metade do século XVI, funcionando como modelo a Igreja da Sé de Faro.

Curiosamente, quem assumiu a remodelação efetuada nesta igreja foi um entalhador de grande reputação regional, o mestre Manuel Francisco Xavier, de parceria com um carpinteiro, António do Carmo.

Em 1760, ambos arremataram, em hasta pública, no Juízo da Auditoria «toda a obra que se há-de fazer na Igreja Matriz de São Pedro de Faro».

De seguida, «contrataram com os oficiais de canteiro, Manuel José e António Nunes, moradores em Estoi, a feitura de seis colunas, em tudo semelhantes às da Sé de Faro, com bases e capitéis pertencentes às ditas colunas (…) por 36$000 réis cada (…) tendo cada coluna a altura que tinhas as antigas desta Igreja e a fazerem uma verga para o portal em tudo idêntica à que está na porta principal».

Em 1763, estavam quase concluídas as obras, faltando, provavelmente, a cobertura. Manuel Francisco Xavier deixa este trabalho, que é assumido pelo já referido  carpinteiro António do Carmo e por um pedreiro, Manuel Rodrigues.