Transmitir a Fé na Família

Transmitir a Fé na Família
Com o avanço do laicismo sucede, muitas vezes, que nos lares das nossas famílias cristãs já não se reza nem se fala dos valores da fé. Grande parte do país rompeu com a prática dos sacramentos e sente-se desconfortável se os filhos fazem alguma pergunta sobre religião. Os símbolos cristãos foram substituídos pelos ídolos da música e do desporto e a própria catequese é facilmente substituída por atividades extracurriculares. Não que dizer que os pais sejam contra a transmissão da fé, mas a verdade é que há uma grande demissão dos pais neste aspecto.
Para colmatar esta falha, confiam a educação cristã à comunidade paroquial que proporciona uma catequese organizada, mas que não pode nem quer substituir os deveres dos pais porque estes são insubstituíveis. Quando uma criança faz uma pergunta sobre a fé, quer uma resposta na hora e não se pode remeter para mais tarde ou para a catequista da paróquia. É importante que a criança tenha a resposta, por muito simples que seja, no momento em que pergunta. A catequese paroquial tem seu espaço mas o lugar da família é insubstituível.
A vela do baptismo, o diploma, as recordações e as fotos são um bom pretexto para falar do grande dia do baptismo aos filhos. Acompanhá-los na sua caminhada ao longo dos anos da catequese paroquial participando na Eucaristia do Domingo é um testemunho magnífico que se pode dar aos filhos. Caso contrário, os filhos depressa tiram a conclusão qu aquilo que não é importante para os pais também não é importante para eles.
Os valores religiosos devem ser vividos na simplicidade da vida familiar logo que eles despontam na tenra idade dos filhos. Um belo Crucifixo e uma linda imagem de Nossa Senhora deveriam estar em todas as casas dos critãos, não como adorno, mas como sinais visíveis da nossa fé cristã.
As primeiras orações devem ser aprendidas em família, ao colo da mãe e no aconchego do pai. “Família que reza unida, permanece unida”, dizia o Papa Pio XXI. A experiência da fé fortalece os laços da vida familiar e leva à descoberta dos valores que buscamos, mas só em Cristo encontramos. Será que o nosso lar é um lar verdadeiramente cristão? O que poderíamos fazer para que a experiência da fé se torne mais visível e mais partilhada em família? Se vivemos a fé na alegria da vida familiar, estamos a dizer que Deus não é um tirano que só nos quer controlar, antes, Deus é como um pai que nos quer ver felizes.
Que este ano pastoral nos leve a redescobrir a beleza de viver e transmitir a fé em família.

Cón. Mário Tavares de Oliveira
In Pórtico, Ser Igreja - 7/10/16