Todos caminhamos para lá…

Todos caminhamos para lá…
A propósito da celebração do dia do idoso, abri uma vez mais a Bíblia fixando-me no Salmo 71 que deixa a prece de um cidadão idoso quando reza: “Não me repudieis no tempo da velhice. Não me abandoneis quando me faltarem as forças… Agora na velhice e na decrepitude, não me abandones ó Deus…”
A súplica em forma de oração deste ancião, homens de fé, repete-se hoje numa sociedade laica, já não dirigida ao omnipotente mas à sociedade - família. Estado, agentes sociais… “não me abandoneis…”
Longe vão os tempos em que o idoso permanecia em casa, no seio da família até ao último dia de vida.
Mais recentemente começaram a aparecer os asilos sobretudo para os sós e marginais, onde os preconceitos sociais não admitiam lá colocar os seus familiares, sendo quase uma expressão proibida ter um familiar num asilo de velhos, como então se dizia.
Mas, como diz Camões, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. E esta sociedade moderna, fruto da longevidade de vida, das doenças mais recentes da demência e de Alzheimer, o ritmo de vida que obriga homem e mulher a sair de casa de manhã até à noite, fez nascer respostas sociais que passam por espaços para acolher a população mais fragilizada quer pelo peso dos anos, quer por motivos de saúde.
Apareceram os Lares que procuram dar respostas durante as 24 horas do dia fazendo que nada falte: higiene, alimentação, convívio, tratamento de saúde. Um ou outra procura, por questões de estatuto, dar aconselhamento espiritual. Embora pareça nada faltar, há sempre um deficit que é a falta do ambiente e carinho familiar, quer se queira quer não, dificilmente trocado, por mais acolhedor e saudável que seja o referido Lar.
As políticas sociais têm procurado dar respostas. E diga-se, em abono da verdade, que a colaboração dos Estados com outras instituições, como as diversas igrejas têm feito uma caminhada que muito tem aliviado as preocupações das famílias quantas vezes sem meios económicos e humanos para acompanhar os anciãos na fase mais difícil das suas vidas.
O respeito pela pessoa em qualquer idade, impele-nos a uma atenção particular aos mais idosos e necessitados, de ajuda física e psíquica. Trabalho que deve ser feito de mãos dadas entre instituições e famílias, sem que isto signifique menos atenção por parte dos familiares mas antes desejo de que os avós tenham o apoio que em casa é impossível dar.
No dia do idoso uma homenagem a quem deu o melhor de si para ajudar a família e o progresso do país. Mas uma palavra de apreço para quem trata dessas pessoas com dedicação, sem tabus, fazendo aquilo que os familiares não são capazes de fazer… com uma certeza: Todos caminhamos para lá!
In Semanário a defesa (19-10-2016)