EM CONTÍNUO ADVENTO

1. De novo, no Advento. Sempre em Advento.
Na verdade, não é só no Advento que existe advento. Nunca deixa de ser Advento.

2. Deus está a vir continuamente até nós. O Advento não é só passado.
Mesmo o Advento que ocorreu no passado não está jamais ultrapassado. O Advento é sempre presente.

3. Deus veio no passado, Deus virá no futuro e Deus vem no presente.
Enfim, estamos sempre em Advento.

4. Celebremos, então, o primeiro Advento, que nunca deixa de estar perto.
E nunca deixemos de nos preparar para o último — e definitivo — Advento, do qual já estivemos mais distantes.

5. Tal como não há só Advento no Advento, também não há só Natal no Natal. Deus está sempre a (re)nascer em nós; queiramos nós também (re)nascer para Ele.
Que seja, pois, Advento para lá do Advento e que seja Natal para lá do Natal. Que seja sempre Advento e que seja sempre Natal. Mas, já agora, que seja Advento também no Advento e que possa ser Natal também no Natal.

6. Como bem notou o teólogo Johannes Moeller, a Igreja é, ela própria, a «Encarnação permanente».
Ou seja, mais do que continuação de Cristo, a Igreja, em si mesma, é a nova presença de Cristo.

7. Neste sentido, podemos dizer que na Igreja encontramos sempre o contínuo Advento e o permanente Natal.
É na Igreja, especialmente na Palavra e no Pão, que Deus está sempre a vir.

8. Nós não evocamos episodicamente um ausente; nós celebramos continuamente uma presença.
Hoje, Jesus não está menos vivo do que esteve há dois mil anos. Hoje, Jesus continua a estar vivo na Sua Igreja e em toda a humanidade, sobretudo na humanidade sofrida e oprimida de tantos irmãos nossos.

9. Não esqueçamos que, quando apareceu no mundo, Deus surgiu como uma criança pequena e nunca deixou de Se identificar com os mais pequenos (cf. Mt 25, 40).
É esta a lição do presépio, é este o ensinamento perene do Evangelho: Deus revela-Se na humildade, Deus visita-nos na simplicidade.

10. A esta luz, não olhemos apenas para a grandeza do que nos aparece como grande.
Aprendamos a olhar também para a grandeza do que (nos) parece pequeno!